26.4.18

Raúl Gómez Jattín (Os poetas)





Los poetas, amor mío, son
Unos hombres horribles, unos
Monstruos de soledad, evítalos
Siempre, comenzando por mí.
Los poetas, amor mío, son
Para leerlos. Mas no hagas caso
A lo que hagan en sus vidas.

Raúl Gómez Jattin




Os poetas, amor meu, são
uns homens horríveis, uns
monstros de solidão, trata
de evitá-los, a começar por mim.
Os poetas, amor meu, são
para se ler. Não ligues
àquilo que façam da vida.

(Trad. A.M.)

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25.4.18

José Antonio Labordeta (Versos como beijos)






VERSOS COMO BESOS



Los versos se hacen versos
en los atardeceres del otoño
y en el corazón somnoliento
se abren ríos de luz
y de esperanza.
Es como si todo
volviese a empezar
de manera infinita
y transversal.

José Antonio Labordeta




Os versos fazem-se versos
nos entardeceres de Outono,
quando no peito sonolento
se abrem rios de luz
e de esperança.
É como se começasse
de novo tudo,
de um modo infinito
e transversal.

(Trad. A.M.)


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24.4.18

A.M.Pires Cabral (Fogo posto)





FOGO POSTO


E se eu acabasse por chegar à conclusão
de que - contrariamente a outras conclusões
a que também tenho chegado algumas vezes-
não existe ignição fora de mim?


Que o fogo sou eu mesmo que o trago de raiz
e o comunico à noite
- por simples contacto, como num
cigarro aceso se acende a outro cigarro.


Que farias, noite, se isto fosse assim?
Apagavas-te, submissa?
Continuavas a arder como se nada fosse?


(Pelo sim, pelo não, chamem os bombeiros.)


A.M.Pires Cabral

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23.4.18

Pedro César Alcubilla (Primeiramente)






PRIMERO



Ahora que te despiertas
con esta desilusión
tan extremadamente salvaje,
no pienses
en lo largo que es el dia
que te queda por delante,
ni en todos los problemas
dispuestos a colgarte boca abajo
y sacudirte los bolsillos
de ilusiones.
Piensa solamente
en poner uno de tus pies
en el suelo.
Lo demás, de momento,
permanece demasiado lejos
de tu alcance.

Pedro César Alcubilla




Agora que despertas
com essa desilusão
tão amarga,
não penses
quão longo é o dia
que tens pela frente,
nem nesses problemas
que te vão pôr de cabeça para baixo
e sacudir-te os bolsos
de ilusões.
Pensa apenas
em pôr no chão
um dos pés.
O resto, por agora,
está longe de mais
do teu alcance.

(Trad. A.M.)
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22.4.18

Pedro A. González Moreno (Quinto elemento)






QUINTO ELEMENTO



É boa terra a palavra,
não precisa de chuva
para a semente vingar
e se ouvir na nossa carne.

Água que nos mata a sede
e tal como um cão fiel nos
lambe as feridas piedosamente.

Vozes que ao ar pertencem
e fazem da alma das coisas
matéria respirável.

Fogueira sem chama que se acende
na noite como um relâmpago
a alumiar-nos a derrota.

Poema, perfeita síntese,
terra e água e ar e fogo,
quinto elemento misterioso
que nome a nome, nessa química
verbal que tudo transforma,
nos faz corpo de seu corpo.


Pedro A. González Moreno

(Trad. A.M.)

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21.4.18

Agustina Bessa-Luís (A Régua)





(Régua)


A Régua, em 1840, era um pouco St. Louis do Missouri, só que com menos europeus.

Havia ingleses, é certo; mas para cá da Mancha um inglês sofre uma rebaixa de cinquenta por cento.

Para chegar onde quero chegar direi que em 1845, nos altos de Baião e num lugar chamado Santa Cruz do Douro, vivia um desses morgados bizarros, que cumprem o seu destino seduzindo uma costureira, casando com uma prima e endividando-se quase sem sair de casa – a comer e a administrar mal as terras. (I)



AGUSTINA BESSA-LUÍS
Fanny Owen
(1979)
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20.4.18

Pablo Neruda (Em ti a terra)





EN TI LA TIERRA



Pequeña rosa, rosa pequeña,
a veces,
diminuta y desnuda,
parece que en una mano mía cabes,
que así voy a cercarte y a llevarte a mi boca,
pero de pronto
mis pies tocan tus pies y mi boca tus labios,
has crecido
suben tus hombros como dos colinas,
tus pechos se pasean por mi pecho,
mi brazo alcanza apenas a rodear la delgada
línea de luna nueva que tiene tu cintura:
en el amor como agua de mar te has desatado:
mido apenas los ojos más extensos del cielo
y me inclino a tu boca para besar la tierra.


Pablo Neruda




Pequena rosa, rosa pequena,
às vezes,
diminuta e desnuda,
parece que me cabes na mão
e que te chego e levo à boca,
mas de repente
meus pés tocam os teus
e minha boca teus lábios,
cresceste
sobem teus ombros como duas colinas,
teus peitos passeiam por meu peito,
e meu braço mal consegue abarcar a linha
delgada de lua nova que tem a tua cintura.
No amor te derramas como água de mar,
enquanto eu, mal medindo os olhos mais extensos do céu,
debruço-me em tua boca para beijar a terra.

(Trad. A.M.)
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